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Sobre o presépio

O presépio é uma data de bonecos de barro que se põem ao pé da árvore de Natal, para poder explicar às pessoas que não conhecem, ou são burras, o que aconteceu no dia de Natal de há muitos anos atrás. Aconteceu que nasceu Jesus, e é isso que se mostra.

No presépio existe uma cabana onde o Jesus fica estendido e deitado nas palhas. Nessa cabana está sempre um burro e uma vaca, porque se fossem aves, como patos ou canários, o Jesus podia apanhar a gripe das aves. Na cabana está também o pai de Jesus, que afinal não é o pai verdadeiro mas emprestado sem juros, e a mãe, que se chama Maria e por isso acho que deveria ser portuguesa. A mãe de Jesus teve-o porque um anjo disse para ela ficar grávida. Ela, como acreditava em tudo o que lhe diziam, engravidou.

No presépio há sempre outras figuras, como os Reis Magos. Eles também deveriam ser portugueses, porque acontece que viram uma luz lá longe e foram ver o que era, só mesmo para ver.

Existem sempre um pastor com ovelhas no presépio e um moinho sem farinha. Há também um espelho colocado no chão para fazer de lago. Se não houver espelho o presépio é mau, porque depois os bonecos dos cisnes não ficam bem em lado nenhum.

Para fazer o chão do presépio é preciso musgo, que é uma coisa verde, parecida com relva mas mais pequena, e que cresce agarrada às árvores e nas terras mais húmidas. Nós também temos humidade na nossa casa, mas não cresce nenhum musgo. A única coisa que aparece são umas bolinhas pretas, que o meu pai diz que se chama de bolor, mas não tem nada a ver com bolos. O meu pai também diz que a humidade faz a força e depois ri-se, mas eu não acho piada.

No presépio podemos brincar com todos os bonecos menos o Jesus. Não podemos brincar com ele porque está colado ao berço e às palhas, e depois fica estranho andar com o boneco de um lado para o outro, como se fosse uma pessoa gorda que ficou presa na cadeira.

Não se podem colocar outros bonecos no presépio, como os Plaimóbil ou o AcxionMan. Os Plaimóbil não se podem colocar porque eu não tenho nenhuns, e o AcxionMan é muito grande e parece um gigante. Um gigante é uma pessoa que chega sempre à última prateleira do armário da cozinha, e que muda as lâmpadas sem precisar de cadeira ou escadote. No presépio não há gigantes porque no tempo do Jesus eram todos baixinhos. Isso acontecia porque eles não comiam a sopa. Eu não gosto de sopa, mas como-a toda porque quero mudar lâmpadas sem cadeira ou escadote.

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Sobre o silêncio

O silêncio é quando não se faz barulho nenhum, e nem sequer se ouvem as moscas ou os puns.

O silêncio é preciso para fazer algumas coisas. Para fazer testes na escola é preciso silêncio, porque senão era uma balbúrdia e ninguém conseguia lembrar-se do que tinha estudado. Quando há balbúrdia é difícil lembrar-mo-nos das coisas, por isso o meu avô deve ter uma grande balbúrdia na cabeça. Ele no outro dia nem sequer se lembrava onde tinha metido a garrafa de vinho do Porto, até que o meu pai a descobriu dentro do autoclismo. O meu pai não explicou o que tinha ido fazer ao autoclismo do meu avô, e também ninguém perguntou. Acho que todos tinham medo que ele tivesse metido as mãos na água no autoclismo. Ele diz que a água que lá está ainda é limpinha, mas eu acho difícil de acreditar porque quando carrego no botão do autoclismo cá de casa a água que sai é de um azul adulto. O outro azul, mais clarinho, é o azul bebé.

O silêncio também se costuma fazer nos espectáculos e nos tribunais, que são quase a mesma coisa só que nos espectáculos há mais polícias.

Costuma dizer-se que o silêncio é de ouro porque nos sítios onde se vende ouro é preciso estar calado. O sítio onde se vende ouro chama-se de Ouraria, que juntamente com Alfama, Picheleira, Chelas, Rua Augusta e Terreiro do Paço são os bairros típicos de Lisboa. Há outros bairros, mas esses têm polícias e não há lixo na rua, e por isso não são típicos. Nas Ourarias temos que fazer silêncio para as pessoas pensarem muito bem se querem gastar aquele dinheiro num colar, brincos, anéis, pulseiras, ou então ir gastar tudo em gomas para os filhos. Eu já disse ao meu pai para ele fazer isso, e comprar um camião cheio de gomas, mas ele diz que não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego. Eu nunca vi um cego a cantar, mas isso deve ser porque estamos em crise e ninguém lhe dá dinheiro. Crise é quando toda a gente se queixa que não tem dinheiro e depois, no hipermercado, compram tudo da marca branca.

Outra das frases que se costuma dizer é que temos que fazer o silêncio porque as paredes têm ouvidos. Acho isto um pouco estranho mas, como a rua tem um olho para onde vão as pessoas despedidas, já nada me admira.

Silêncio é também o que é preciso haver para existir o barulho, porque senão o barulho era o normal e nós nunca sabíamos a quantas andávamos. Eu às vezes ando a 20, mas depois corro e ando mais depressa, só que depois não sei a quanto ando porque não consigo contar.

Isto de falar do silêncio é complicado e difícil, por isso vou fazer o silêncio e calar-me. Chiu.

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Sobre o dinheiro

O dinheiro é aquilo que se utiliza para comprar as compras. Também se podem utilizar cheques ou o cartão de multibanco, mas é tudo a mesma coisa porque vale tudo dinheiro. Só não valem dinheiro os cheques carecas, que se chamam assim porque só os senhores que não têm cabelo é que os escrevem. Como estes senhores não têm dinheiro para fazer tratamentos, nem para comprar perucas, também não têm dinheiro para escrever cheques. Para escrever cheques é preciso saber contar e escrever até 900 por extenso, ou seja, novecentos. Eu posso escrever cheques, mas não valem nada porque eu não tenho dinheiro. Podia ser pior, porque eu podia ser careca e isso não dava jeito.

O multibanco é o cartão que se põe nas máquinas para dar dinheiro, mas só saem notas quando se tem um saldo positivo, e para isso acontecer é preciso trabalhar muito. O meu pai diz que algumas pessoas têm muito dinheiro e não trabalham nada. Eles chamam-se de sortudos, ricos, betos, senhorios ou rabos-virados-para-a-lua.

No Natal e nas férias é quando se gasta mais dinheiro. Isto acontece porque os chefes dão um subsídio, que é ainda mais dinheiro, para ajudar a economia. A economia é uma coisa complicada, mas eu sei que tem a ver com dinheiro e com outra coisa chamada fraude fiscal. A fraude fiscal é uma coisa má, que acontece muitas vezes, mas ninguém vai preso porque não é nada parecido com roubar turistas ou velhotes. Para fazer fraude fiscal é preciso ter um fato de marca, e é preciso falar muito e não dizer nada.

O nosso dinheiro chama-se de Euro porque nós vivemos na Europa. Se vivêssemos na América o dinheiro chamava-se de Américo.

O sítio onde se guarda dinheiro é o banco. Às vezes, uns senhores vão roubar o banco para ter dinheiro para comprar carros, telemóveis, computadores e sapatos de marca. Isso é chamado de assaltar o banco. Acho que o nome é errado porque eu, no outro dia, saltei por cima do banco da cozinha e não ganhei nenhum sapato de marca. Eu até nem gosto de sapatos, mas podia ser que desse para trocar por uns ténis da Riboque, Naique ou Adias.

Eu gostava de ser rico e ter dinheiro para tudo. Se não puder ser, então quero Plaissetaixon e gomas. Obrigado.

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Sobre o circo, parte II

Ou

Como eu já me tinha esquecido que tinha escrito sobre o circo, escrevi outra vez. E eu até nem gosto muito de circo.

O circo é uma coisa que acontece numa tenda. Esta tenda é maior do que aquelas que se vêem na Costa da Caparica, porque têm que ter elefantes, leões, homens a vender balões, mágicos, palhaços, cavalos, homens a vender pipocas, trapezistas e uma banda que toque má música.

As tendas de circo são sempre coloridas porque senão a polícia pensava que eram turistas espanhóis a acampar ilegalmente, e expulsava-os do país, que é Portugal, à cacetada. A cacetada dá-se com um cacete, que é um pau com um nome mais bonito e comprido.

Eu já fui duas vezes ao circo. Numa era Natal, e na outra não.

No circo há palhaços. Eu não gosto nada de palhaços. O meu pai às vezes grita com os palhaços quando eles andam a conduzir mal na estrada e nas ruas. Os palhaços que eu vi no circo andam sempre a gritar e têm o nariz muito vermelho. Além disso, vestem-se de diferentes cores só para dar nas vistas. O meu vizinho Antunes também dá nas vistas, e também anda sempre aos gritos e com o nariz muito vermelho. A minha mãe diz que ele é um alcoólico, e o meu pai diz que ele é bêbado. Como eu não gosto de alcoólicos, e muito menos de bêbados, também não gosto de palhaços. Há crianças que se riem dos palhaços, mas elas não percebem nada do que se passa.

No circo também existem leões. Eles estão dentro de jaulas e nunca escapam. Se escapassem comiam logo o senhor das pipocas, porque ele é mais doce do que o senhor que vende balões. Na jaula com os leões está um senhor com um chicote que diz élá, oi, uoupá e áriups. Quando ele diz essas coisas os leões mexem-se e pronto. É só isso o que eles fazem porque eles não sabem fazer mais nada. Mas não são burros. São leões.

Quem também não faz grande coisa no circo são os elefantes. Eles andam ali às voltas, depois viram-se, voltam para trás e voltam outra vez para a frente e pronto. É muito aborrecido, e a culpa é do homem que cuida deles, porque os elefantes têm uma grande cabeça e deveriam aprender mais coisas. Eu que ainda sou pequeno já sei ligar o computador, e eles tão grandes só sabem dar voltas.

Mas, não é só de animais que é feito o circo. Às vezes também tem umas pessoas a fazer coisas. Umas são os trapezistas, que se chama assim porque dão umas voltas no ar que parece que tropeçaram em alguma coisa. Antes chamavam-se de trapecistas, mas como parecia que faziam tapeçarias, mudou-se o ç para z de Zorro e zás trás pás.

Outras pessoas no circo são os contorcionistas. Estes são sempre umas senhoras que se dobram por todos os lados, como se fossem de borracha, e fumam cigarros com os pés. Se fumar com as mãos é mau, fumar com pés deve ainda ser pior, por causa do chulé.

No circo podemos ver também os mágicos. A única coisa que os mágicos fazem é tirar pombas de um chapéu, brincar com uns lenços, atar pessoas e fazer desaparecer coelhos. Eles têm sempre uma senhora ao lado, que sorri muito, e se chama de partenére. Esse é um nome estranho, e tenho pena da senhora porque ela deve ter sido muito gozada quando andava na escola. Eu às vezes também sou gozado, mas depois o pitosga do Luís tropeça no recreio e passamos a gozar com ele.

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Sobre o frio

O frio é uma coisa que acontece quando está pouco calor, ou mesmo quando não há calor nenhum. Normalmente é no Inverno que aparece o frio, mas às vezes também há frio no Verão. O meu pai diz que isso acontece porque a cambada do ozono está fininha e com buracos. Acho mal a cambada ter buracos, e se fosse eu já lhes tinha dado uns remendos, só que o meu pai diz que a cambada é difícil de apanhar.

Quando faz muito frio diz-se que está um frio de rachar, ou então, como se diz na terra do meu pai, está um frio de congelar os tomates. Isso é um pouco estranho, porque quando faz frio todos os legumes da horta do meu avô ficam congelados, e não são só os tomates. Assim, deveria dizer-se que está um frio de congelar a horta.

Para sairmos à rua quando está frio temos que vestir muitas roupas e beber coisas quentes. O chato é que as coisas quentes ficam logo frias quando saímos à rua, por isso convém beber em casa. Beber em casa é alcoolismo. Beber na rua é bebâdosismo.

A peça de roupa que eu mais gosto de vestir é o cachecol, porque ele dá para amarrar na cabeça como o Rambo. O Rambo é um senhor de um filme que o meu pai tem em casa. Ele anda sempre zangado e com a boca de lado, mas tem músculos. Eu quero ter músculos quando for grande. Agora não posso ter porque, como sou pequeno, ficava ainda mais esquisito do que as grandes mamas do Zé Gordo.

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Sobre as piscinas

As piscinas são umas poças de água, mas que têm azulejos azuis e brancos no fundo. Têm também umas escadas e um corrimão, que é para sairmos da piscina sem tropeçarmos, escorregarmos ou cairmos.

A água da piscina tem uma coisa chamada cloro, que é um produto que mata os parasitas, elimina o xi-xi e arde nos olhos.

Nas minhas férias fui a uma piscina onde estava muita gente, e por isso chamava-se de piscina pública. Se fosse uma piscina que está sempre fechada ou toda suja, mesmo depois de ter sido inaugurada pelo presidente da Junta, já não é uma piscina pública, mas uma piscina municipal.

A piscina normalmente não tem ondas, mas naquela onde fui estava também um miúdo chamado Zé Gordo, por isso tinha às vezes ondas de quase meio metro. Meio metro quer dizer que as ondas só têm metade das ondas altas.

Para se entrar na piscina temos que pôr umas toucas de plástico na cabeça, para assim evitarmos que se perca cabelo ou que os piolhos saltem e se afoguem. O piolho é um bicho que vive na cabeça das crianças que vão à escola e nas costas dos macacos. Os piolhos não vivem nas cabeças dos carecas porque não têm onde se agarrar. Eu nunca tive piolhos mas tenho muito cabelo, por isso se quiser posso ter.

Mergulhar na piscina é bom porque dá para ver o fundo. É mau porque há muitas pernas para nos desviarmos. De cada vez que mergulho fico com o nariz cheio de ranhos e tenho que fungar para fora. Às vezes fico com muitos macacos mas, como não são daqueles macacos que têm piolhos nas costas, eu não me importo.

Viva as piscinas públicas! Viva também as piscinas municipais, mas só estiverem lavadas e abertas.

PS – O PS é um partido de Portugal. Chama-se partido porque eles andam sempre zangados. Se eles fossem amigos chamava-se de juntinhos, e não de partido. PS é também o que se escreve quando se quer dizer uma coisa depois de já ter dito tudo o que havia de interessante para dizer. Eu quero dizer que este é o primeiro texto que tem um desenho para mostrar melhor o que escrevo. Lá para a frente pode ser que apareçam outros desenhos. Os desenhos não sou eu que faço porque não tenho lápis de cor da Cárandache. Como só tenho uns lápis reles comprados no Continente da Amadora, resolvi não desenhar. Quem desenha é uma uma amiga minha que se chama Ana Banana. Na verdade, ela não se chama Banana, mas como rimava resolvi dizer Banana. Rimar é fixe porque dá para fazer músicas e ser poeta e ser mais alto e ser maior do que os homens.

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Sobre as manas princesas

O meu irmão já nasceu, e afinal é uma irmã. Irmã também se pode dizer mana, porque como não tem o til é mais fácil de escrever. Não me importo nada que ela seja uma menina, porque assim fico com os carros todos para mim. É que as meninas não sabem brincar com os carros, e o meu pai até diz que elas são azelhas a estacionar. Eu às vezes não estaciono os carros depois de brincar com eles, e depois a minha mãe ralha comigo. Ela ralha porque se eu não arrumar os carros, ela também não os apanha porque, como já disse, as meninas não sabem estacionar e a minha mãe é uma menina grande.

A minha mana é chamada de princesa por toda a gente. Isto que dizer que eu deveria ser um príncipe, mas como não tenho cavalo branco nem armadura, não devo ser coisa nenhuma. Para a minha mana ser uma princesa, o meu pai tem que ser o rei, o que não é verdade. A única vez em que ele quase foi rei, foi quando era mais novo e trabalhou no Rei dos Frangos, mas como ele não era o dono, nem tinha frangos, não pôde ser o rei de coisa nenhuma. Já a minha mãe não pode ser rainha porque o penteado dela não a deixa usar coroa. Assim, a única hipótese é a minha mana ser uma princesa porque é muito bonita. E é verdade.

A única altura em que a minha mana é um pouquinho feia é quando chora. Ela berra tão alto que no outro dia o vizinho Antunes saiu à rua a gritar «eles vêm aí!». O vizinho Antunes foi um soldado numa guerra lá muito longe e que aconteceu há muito tempo. Cada vez que ele ouve uma sirene, sai para a rua a gritar que eles vêm aí. No outro dia bem estive à espera que eles viessem, mas eles não vieram. Eu também não sei quem eles são, por isso não sei se devo esperar muito ou pouco. Se calhar, são pessoas que se atrasam muito, e eu não tenho paciência para esperar por atrasados.

A minha mana é também um pouquinho badalhoca, porque faz cocó na fralda e fica ali quieta. Só quando passa um bocado é que ela começa a refilar e a avisar que está suja. O meu avô também usa fralda, mas ele quando faz cocó refila logo. Normalmente diz porra que já obrei. Obrar é trabalhar nas obras, por isso o meu avô mente. Ele só trabalhou no campo e foi jardineiro quando veio para a cidade, por isso nunca trabalhou nas obras.

A minha mana por vezes também dá uns puns bem altos, mas nunca pede desculpa. Eu no outro dia também dei um pum no hipermercado, que toda a gente ficou a olhar, e tive logo que pedir desculpa, senão levava um tabefe. Acho que a minha mana está livre de pedir desculpa porque é uma princesa, e as princesas nunca têm que pedir desculpa quando dão puns, a não ser que cheirem muito mal. Se cheirarem mal, as princesas têm que pedir desculpa, ir a Fátima e dar beijinhos aos pobres.

A minha mana é muito bonita e eu gosto muito dela. Se alguém disser que a minha mana é feia, leva logo uma cabeçada minha e outra do vizinho Antunes. Viva a minha mana!

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