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Arquivo para Julho, 2008

Sobre a Internet

A Internet são uma data de computadores todos ligados com fios e sem fios, em que todos falam uns com os outros para podermos ver os sáites e o meu pai poder entregar o IRS. O IRS são umas letras que querem dizer Imposto Realmente Stúpido. Não se diz Estúpido porque senão o imposto chamava-se IRE, que é como os burros e incultos escrevem a palavra ir.

A Internet também se chama de net, que é o diminuitivo. Já o diminuitivo de net é netinha, que é como o meu avô Joaquim chama a minha prima. O meu avô está enganado porque a minha prima não tem nada a ver com a net. A net é interessante, enquanto que a minha prima é mariquinhas e só brinca com talheres e pratos de plástico.

A Internet quando apareceu foi na América já há muitos anos, mas mesmo assim os americanos continuam muito parvos e taralhoucos. A net veio para Portugal só depois do 25 de Abril, porque era como a Coca-Cola e não se podia ver, nem beber. A net não se bebe, mas dá para ver a Coca-Cola. A net chegou cá nos contentores de um navio e depois foi distribuída pelo país num dia em que os camionistas não fizeram greve.

A net inventou uma data de palavras novas porque as coisas que apareciam eram muitas e não havia nomes para todas. Apareceram palavras como dáuniló, sáite e belogues, que é aquilo que eu tenho aqui para todos verem. Se não se tivessem inventado esses nomes, se calhar chamava-se o dáuniló de espátula, o sáite de grande-penalidade e o belogue de jacinto, o que era uma grande confusão. Além do mais, o Jacinto, que mora no sexto esquerdo, dá muitos erros a escrever, e por isso era injusto dar o nome dele aos belogues. Assim, para não haver confusões nem gritarias, não se podem repetir palavras. O único sítio onde se pode repetir é no casamento, num rap ou no eco, mas aí a culpa já não é nossa.

A net é também a palavra que, em inglês estrangeiro, quer dizer rede. Isto é um pouco estúpido, porque o meu avô quando vai à net diz que não pesca nada, por isso net não pode ser uma rede.

Eu estive uns dias sem Internet e já estava a ficar maluquito porque não podia escrever aqui nem ler as notícias da bola. As outras notícias podia ler porque o meu pai compra o jornal e ainda aceita todos os jornais gratuitos que lhe dão. Eles diz que ler faz bem e eu já vi. Ele sai sempre aliviado da casa-de-banho quando vai para lá ler durante muito tempo. O chato é o cheiro que fica depois. Eu quando leio não cheiro mal, mas isso deve ser porque eu ainda leio pouco ou não o faço bem.

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Sobre os signos

Os signos são animais e objectos que dizem o que nos vai acontecer na vida e também no dia-a-dia. Não dizem o que vai acontecer à noite porque eles não conseguem ver no escuro.

Os signos estão espalhados pelos meses do ano, sem jeito e sentido nenhum, e por isso é preciso ter um calendário de bolso para saber qual é o signo do dia em que nascemos no mundo. Há também calendários de parede, mas esses não dá para termos na carteira porque têm imagens de senhoras nuas e perdizes mortas.

Os signos são vários e todos diferentes uns dos outros. Não são todos diferentes, todos iguais. São mesmo todos muito diferentes e nada parecidos. Eu não sei o que cada um deles quer dizer, mas sei o nome de alguns. São o touro, os peixes, os gémeos Cláudio e Carolina, o leão, o homem-cavalo, o caranguejo, a sapateira, o carneiro, o cabricórnio, a balança, o fia-te na virgem e não corras , o aquário e as árvores de fruto.

O único signo que eu conheço mais ou menos é o meu, que é o touro. O touro é aquela pessoa que é teimosa e gosta de vacas. Eu sou assim, por isso tive sorte no signo que me calhou. Se eu gostasse de carneiras já não podia ser touro e tinha que ser outra coisa. Mas assim é que eu gosto.

Existem pessoas que sabem o que vai acontecer às pessoas por causa dos signos. Elas chamam-se de evidentes ou signólogos. O meu pai também os chama de aldrabões e chulos, mas ele chama os árbitros da mesma forma, por isso não sei se os nomes estão certos ou verdadeiros.

Com excepção da sapateira, que vive no restaurante do Zé Algarvio, todos os signos vivem nas estrelas. Se um dia forem viajar de avião e virem um touro a pastar nas nuvens, digam-lhe olá e muuu, porque esse é o meu signo. Se virem uma balança não digam nada, porque as balanças normais não falam. Só as da farmácia é que falam alguma coisa, e mesmo assim é só para dizer o peso e o nível de castrol no sangue.

"Postes" em que falo de coisas parecidas: