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Arquivo para Dezembro, 2006

Sobre a Passagem de Ano

A passagem de ano é quando um ano deixa de ser uma coisa e passa a ser outra. É tal e qual como os vira-casacas, que tão depressa gostam como já não gostam, como já gostam outra vez.

A passagem de ano é muitas vezes chamada de reveilhão, que é a palavra francesa para alegria e boa disposição. A palavra indica também que a passagem de ano é uma invenção dos franceses. Eles tinham muitas garrafas de champanhe para vender e organizaram tudo para esvaziar os armazéns e fabricar mais.

O reveilhão é a única altura do ano em que se ouve música de Carnaval e se fazem comboios de pessoas. Isto sem contar com o Carnaval, onde também se ouve música dessa. Só não se fazem é comboios com pessoas porque a alegria é assim-assim, enquanto que na passagem de ano a alegria é muito grande. O meu pai nunca entra nos comboios com pessoas porque diz que não gosta de ser a locomotiva, nem de pegar de empurrão. Eu gosto de ser a locomotiva, porque posso decidir por onde é que vamos. Além do mais, logo a seguir a ser a locomotiva o meu pai vem sempre falar-me de gajas e a dizer que eu tenho que andar atrás delas. Eu ainda não sei muito bem o que são gajas, mas deve ser bem bom porque toda a gente as quer.

Quando se passa para o ano temos todos que fazer muito barulho com os tachos e panelas. Só não se pode fazer barulho com a panela de pressão porque é cara. As panelas de pressão são muito pesadas porque assim ninguém pega nelas para fazer barulho.

Na passagem de ano deseja-se sempre que o ano que vem seja muito bom, cheio de coisas boas e gomas.

Viva o ano que vem, que é igual ao ano que vai ficar. Viva!

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Sobre o Natal

O Natal é o dia em que se comemora o nascimento do Jesus e do seu irmão, o Cristo. Normalmente diz-se Jesus Cristo porque mais tarde eles formaram uma empresa, tal como os senhores Carre e Fure.

O Jesus e o Cristo nasceram há mais de 2000 anos, e por isso não podem estar vivos agora porque senão já não tinham reforma. No dia em que nasceram vieram três senhores oferecer umas prendas. Esses senhores viajavam de camelo, porque era mais barato, e chamavam-se os Reis Magos. Mas esse era só o nome artístico deles, porque na verdade os nomes eram Gaspar, Baltazar e Melchior. Como o nome do Melchior não é fácil de dizer, além de ser muito feio, ele decidiu mudar para Pai Natal.

O Pai Natal ainda existe nos dias de hoje porque vive num sítio muito frio, tal como se fosse um frigorífico. As coisas que se guardam no frigorífico duram sempre mais anos, e por isso é que ainda temos Pai Natal.

Ao contrário do que os miúdos normais pensam, eu sei que não é o Pai Natal que dá as prendas. Eu sei porque a minha chaminé é muito estreitinha e o Pai Natal teria que ser uma cobra para caber lá. Além disso, mesmo que fosse o Pai Natal a pessoa a dar as prendas, não valia a pena escrever-lhe porque os correios, os carteiros e as pessoas que vendem selos estão sempre em greve.

Eu gosto do Natal porque recebo prendas e isso é bom, menos as da minha tia Aurora, que me dá sempre umas roupas com riscas e quadrados feios.

Na noite de Natal a pior coisa que existe é ter que comer o bacalhau. Como o bacalhau está quase a desaparecer dos mares, porque não dá jeito nenhum nadar assim todo espalmadinho, pode ser que para o ano eu não tenha que o comer! Na verdade eu tenho pena se o bacalhau desaparecer, ainda mais porque é ele que faz com que o mar seja salgado.

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