RSS dos postsRSS dos comentários 63 Posts e 68 Comentários até agora

Adeus?

Daqui o “pai” do puto. Ele não consegue escrever mais aqui. Um blog é algo que deve ser alimentado, e este está com fome há muito tempo. Talvez volte um dia. Ou não.

Ficam 62 postos em arquivo. Para consultar na barra lateral. E sorrir, se forem bons.

Partilha isto:
  • del.icio.us
  • Sapo
  • EuCurti
  • DoMelhor
  • Digg
  • Google
  • Ueba
  • StumbleUpon
  • Live
  • TwitThis
  • Technorati
  • Facebook
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

"Postes" em que falo de coisas parecidas:

Sobre os extra-terrestres

Os extra-terrestres são uma pessoas que não são pessoas porque não vivem em Portugal, e nem sequer no mundo e arredores. Os extra-terrestres são assim coisas que vêm de outros planetas, e só existem nos filmes americanos. Nos filmes da Europa e da França eles não existem, porque esses filmes são sempre sobre coisas para os adultos pensarem muito, e como os extra-terrestres não pensam muito bem, eles não entram nesses filmes.

Eu digo que os extra-terrestres não pensam muito bem porque nos filmes eles perdem sempre para os americanos, e eles já são bastante estúpidos, parvos, gordos e sebentos. Mesmo assim, os americanos têm coisas boas, como os cáubóis, hambrugas com queijo mas sem pimento, e o pato Mickey. Eles têm também outras letras no abecedário que nós não tínhamos, e que antes não faziam falta mas agora fazem para dizer worten, kaspa e ynconstitucionalissimamente, que é uma palavra grande, comprida e que não quer dizer grandes coisa porque tem a ver com a política, e a política, diz o meu pai, é chula e não vale um tostão. O tostão era uma moeda que existia quando o meu pai era pequeno. Agora já não existe porque o meu pai é grande.

Os extra-terrestres podem ser chamados de étês, que é também o nome de um filme antigo em que um senhor anão e pequeno vestia um fato de borracha, castanho com uma ponta vermelha com luz, e fingia telefonar para casa. Ele também dizia que era um extra-terrestre, só que era a fingir porque os extra-terrestres são todos verdes, que é a cor mais horrível e feia para ter na pele.

Ser extra-terrestre é uma chatice porque eles andam em discos voadores que giram muito depressa, e aquilo deve dar dor de cabeça. Além disso, como aquilo gira muito, eles andam sempre tontos e nunca acertam no sítio para onde querem ir. E é por isso que eles nunca chegaram ao nosso planeta e nem sequer a Portugal.

Partilha isto:
  • del.icio.us
  • Sapo
  • EuCurti
  • DoMelhor
  • Digg
  • Google
  • Ueba
  • StumbleUpon
  • Live
  • TwitThis
  • Technorati
  • Facebook
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

"Postes" em que falo de coisas parecidas:

Sobre a Internet

A Internet são uma data de computadores todos ligados com fios e sem fios, em que todos falam uns com os outros para podermos ver os sáites e o meu pai poder entregar o IRS. O IRS são umas letras que querem dizer Imposto Realmente Stúpido. Não se diz Estúpido porque senão o imposto chamava-se IRE, que é como os burros e incultos escrevem a palavra ir.

A Internet também se chama de net, que é o diminuitivo. Já o diminuitivo de net é netinha, que é como o meu avô Joaquim chama a minha prima. O meu avô está enganado porque a minha prima não tem nada a ver com a net. A net é interessante, enquanto que a minha prima é mariquinhas e só brinca com talheres e pratos de plástico.

A Internet quando apareceu foi na América já há muitos anos, mas mesmo assim os americanos continuam muito parvos e taralhoucos. A net veio para Portugal só depois do 25 de Abril, porque era como a Coca-Cola e não se podia ver, nem beber. A net não se bebe, mas dá para ver a Coca-Cola. A net chegou cá nos contentores de um navio e depois foi distribuída pelo país num dia em que os camionistas não fizeram greve.

A net inventou uma data de palavras novas porque as coisas que apareciam eram muitas e não havia nomes para todas. Apareceram palavras como dáuniló, sáite e belogues, que é aquilo que eu tenho aqui para todos verem. Se não se tivessem inventado esses nomes, se calhar chamava-se o dáuniló de espátula, o sáite de grande-penalidade e o belogue de jacinto, o que era uma grande confusão. Além do mais, o Jacinto, que mora no sexto esquerdo, dá muitos erros a escrever, e por isso era injusto dar o nome dele aos belogues. Assim, para não haver confusões nem gritarias, não se podem repetir palavras. O único sítio onde se pode repetir é no casamento, num rap ou no eco, mas aí a culpa já não é nossa.

A net é também a palavra que, em inglês estrangeiro, quer dizer rede. Isto é um pouco estúpido, porque o meu avô quando vai à net diz que não pesca nada, por isso net não pode ser uma rede.

Eu estive uns dias sem Internet e já estava a ficar maluquito porque não podia escrever aqui nem ler as notícias da bola. As outras notícias podia ler porque o meu pai compra o jornal e ainda aceita todos os jornais gratuitos que lhe dão. Eles diz que ler faz bem e eu já vi. Ele sai sempre aliviado da casa-de-banho quando vai para lá ler durante muito tempo. O chato é o cheiro que fica depois. Eu quando leio não cheiro mal, mas isso deve ser porque eu ainda leio pouco ou não o faço bem.

Partilha isto:
  • del.icio.us
  • Sapo
  • EuCurti
  • DoMelhor
  • Digg
  • Google
  • Ueba
  • StumbleUpon
  • Live
  • TwitThis
  • Technorati
  • Facebook
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

"Postes" em que falo de coisas parecidas:

Sobre os signos

Os signos são animais e objectos que dizem o que nos vai acontecer na vida e também no dia-a-dia. Não dizem o que vai acontecer à noite porque eles não conseguem ver no escuro.

Os signos estão espalhados pelos meses do ano, sem jeito e sentido nenhum, e por isso é preciso ter um calendário de bolso para saber qual é o signo do dia em que nascemos no mundo. Há também calendários de parede, mas esses não dá para termos na carteira porque têm imagens de senhoras nuas e perdizes mortas.

Os signos são vários e todos diferentes uns dos outros. Não são todos diferentes, todos iguais. São mesmo todos muito diferentes e nada parecidos. Eu não sei o que cada um deles quer dizer, mas sei o nome de alguns. São o touro, os peixes, os gémeos Cláudio e Carolina, o leão, o homem-cavalo, o caranguejo, a sapateira, o carneiro, o cabricórnio, a balança, o fia-te na virgem e não corras , o aquário e as árvores de fruto.

O único signo que eu conheço mais ou menos é o meu, que é o touro. O touro é aquela pessoa que é teimosa e gosta de vacas. Eu sou assim, por isso tive sorte no signo que me calhou. Se eu gostasse de carneiras já não podia ser touro e tinha que ser outra coisa. Mas assim é que eu gosto.

Existem pessoas que sabem o que vai acontecer às pessoas por causa dos signos. Elas chamam-se de evidentes ou signólogos. O meu pai também os chama de aldrabões e chulos, mas ele chama os árbitros da mesma forma, por isso não sei se os nomes estão certos ou verdadeiros.

Com excepção da sapateira, que vive no restaurante do Zé Algarvio, todos os signos vivem nas estrelas. Se um dia forem viajar de avião e virem um touro a pastar nas nuvens, digam-lhe olá e muuu, porque esse é o meu signo. Se virem uma balança não digam nada, porque as balanças normais não falam. Só as da farmácia é que falam alguma coisa, e mesmo assim é só para dizer o peso e o nível de castrol no sangue.

Partilha isto:
  • del.icio.us
  • Sapo
  • EuCurti
  • DoMelhor
  • Digg
  • Google
  • Ueba
  • StumbleUpon
  • Live
  • TwitThis
  • Technorati
  • Facebook
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

"Postes" em que falo de coisas parecidas:

Sobre os Descobrimentos

Os Descobrimentos foram uma altura muito importante para a história do nosso país, que se chama de Portugal Heróis do Mar. Isso aconteceu há muitos anos atrás, ainda antes de eu ter nascido e até antes da Lili Caneças aparecer.

Nessa altura havia muita gente desempregada e com tempo livre, e por isso decidiram pegar nuns barcos grandes e ir ver se descobriam os Açores, a Madeira e os McDonalds. Eles foram nuns barcos à vela porque era tempo de crise e o gasóleo estava caro. Agora estão a acontecer as mesmas coisas, mas ninguém vai andar de barco pelo mar fora porque estão todos a receber o subsídio de desemprego. Por causa do subsídio têm que ir de 15 em 15 dias à Junta de Freguesia assinar um papel e fazer o pino. E 15 dias não dá para viajar de barco porque só se consegue ir até meio caminho de alguma coisa. Além do mais, os Açores e tudo o resto já foi descoberto, o que é chato porque assim não sobrou nada para nós.

Os reis também queriam que as pessoas fossem descobrir coisas, que era para ver se não andavam na rua a vadiar, coisa que dava mau aspecto e era pior para o turismo e para a segurança. A segurança é poder estar na rua a jogar à bola sem medo de nada, a não ser dos carros, das motas, dos táxis, dos cães, dos pombos, dos autocarros e dos trambolhões. Quem faz a segurança são os polícias, que agora são mais magros e com menos bigode que na altura em que o meu pai jogava à bola. Quem não faz a segurança são os ladrões, gatunos ou árbitros.

Nos Descobrimentos as pessoas iam nos barcos sempre em frente e só paravam quando encontravam terra. Se encontrassem terra nos sapatos não valia, e era só sinal que não tinham limpo os pés antes de embarcar nos barcos. O meu pai diz que o meu tio também gosta de embarcar, mas ele é mais com os uisquéis.

Nos barcos eles tinham que levar muita carne para comer, para não enjoarem do peixe que apanhavam. O chato era que tinha que ser tudo comido cru. Como os barcos eram feitos de madeira, era muito perigoso fazer lume para assar umas sardinhas. Comer peixe cru é agora uma coisa boa e chique e é da moda, e chama-se suxi. Na altura dos Descobrimentos comer peixe cru era chato, porque ninguém sabia que era uma coisa boa e chique e da moda.

Nos Descobrimentos foram descobertas muitas terras, florestas, rios, animais e plantas. Só o céu é que era sempre o mesmo, com o mesmo sol e com as mesmas estrelas.

Se durante aquela altura não se tivessem encontrado muitas coisas, não se chamava de Descobrimentos, mas sim do contrário, ou seja, Cobrimentos.

Os Descobrimentos foram a única altura em que o nosso país foi importante. Agora não somos porque, diz o meu pai, estamos na cauda da Europa. A cauda é a parte mais suja dos cães por causa do cocó. Se calhar é por isso que há por aqui tanto cocó de cão nas ruas: é porque somos a cauda da Europa. Eu não gosto de estar na cauda da Europa, e um dia vou-me mudar para o Algarve, sítio do estrangeiro onde se fala inglês marafado.

Partilha isto:
  • del.icio.us
  • Sapo
  • EuCurti
  • DoMelhor
  • Digg
  • Google
  • Ueba
  • StumbleUpon
  • Live
  • TwitThis
  • Technorati
  • Facebook
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

"Postes" em que falo de coisas parecidas:

Sobre as prendas

Prendas é a mesma coisa que presentes, mas como isso é o que também se diz quando a professora chama o nosso nome, inventou-se a palavra prendas.

Prendas é aquilo que se dá nos aniversários, nos anos, no Natal, na Páscoa e quando se quiser, por isso podia-se dar o ano todo que ninguém se importava.

Pode dar-se prendas a todo o tipo de pessoas, mas às más dão-se sempre umas prendas fraquitas. Também se podem dar prendas aos cães, mas nesse caso não se utiliza papel de embrulho porque eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.

O papel com que se embrulham as prendas pode ser de muitas cores e com desenhos, ou só de uma cor e muito tristes. Nos centros comerciais há sempre uma bancada com raparigas a embrulhar prendas. As pessoas vão lá porque não têm jeito para embrulhar, mas só para desembrulhar. Eu também tenho mais jeito para o desembrulho do que para o embrulho.

Eu gosto de prendas porque é bom rasgar o papel. No outro dia experimentei rasgar o jornal ao meu pai, mas a sensação não foi nada boa, e até foi dolorosa. É que o meu pai ainda não tinha lido o jornal todo e, por isso, levei dois tabefes. Ler o jornal todo é uma chatice e demora tempo. Por isso, às vezes só se lêem as palavras principais, que se chamam de gordas porque ocupam muito espaço. Nos jornais há também palavras magras, que são as mais pequenas. O meu pai diz que num papel que se chama de contrato existe outro tipo de palavras. Essas chamam-se de miúdas, e devem ser filhas das magras porque são muito pequeninas e difíceis de ler. O meu pai diz que é preciso reparar sempre nas miúdas para sabermos o que assinamos. Eu, por outro lado, reparo sempre nas miúdas porque gosto de raparigas.

Partilha isto:
  • del.icio.us
  • Sapo
  • EuCurti
  • DoMelhor
  • Digg
  • Google
  • Ueba
  • StumbleUpon
  • Live
  • TwitThis
  • Technorati
  • Facebook
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

"Postes" em que falo de coisas parecidas:

Sobre o meu prato preferido

O meu prato preferido é o da sopa porque dá para levar mais comida, e até fazer pirâmides maiores do que nos outros pratos. A única coisa chata desse prato é que é muitas vezes utilizado para comer sopa, comida da qual não gosto. Na verdade, a sopa não deveria chamar-se de comida porque não se come, nem é bebida porque não se pode beber. Não se bebe porque tem pedaços de couve que ficam presos na garganta do esófago, e depois ficamos sem ar, roxos, e é preciso vomitar uma coisa verde para respirar outra vez.

As minhas comidas preferidas são muitas, mas a melhor de todas é o bife com batatas fritas. Às vezes também como um ovo de cavalo no bife. Os ovos de cavalo são pequenos, e até parecem ovos de galinha. O cavalo, tão grande, ter um ovo tão pequenino é para mim um mistério tão grande como a tal montanha que partiu um rato. Porque é que a montanha partiu o coitado do bichinho? Não sei, mas quando perguntei ao meu pai ele riu-se, por isso deve ser uma piada que não percebo.

A comida preferida não se pode comer todos os dias, porque senão acabavam as vacas e as batatas no mundo. Eu não quero que acabem as vacas, até porque gosto de leite com chocolate, e por isso não como o preferido todos os dias. Outra razão para não o fazer é que é a minha mãe que faz a comida, e ela é que decide. O meu pai também decide, mas é muito pouco.

Quando eu for maior e tiver uma casa só vou ter pratos de sopa. Como quero ter muitos, é melhor começar já a juntá-los. No outro dia, no restaurante do Zé Calisto, meti o prato de sopa da minha mãe na mala dela, para depois em casa eu ficar com ele. Mas, depois, ela descobriu e não gostou nada, porque o prato ainda tinha um pouco de legumes e sujou o telemóvel, a carta de condução, os lenços de papel, os recibos das compras, as coisas com que ela pinta a cara, a garrafa de água e as moedas que estavam espalhadas. Disto tudo o telemóvel foi o que sofreu mais, porque apesar de o termos secado com o secador, ele agora só dá o mesmo toque de cada vez que alguém liga. O toque é uma música dos Bom Jovem, uma banda de que a minha mãe gostava, mas da qual tem vergonha agora. Eu também teria vergonha de gostar de uma banda em que as pessoas têm cabelo esquisito, mas a minha mãe diz que era jovem e cometeu erros. Eu sou jovem e também faço erros, mas depois apago-os com uma borracha que me deu a minha tia Alcerina.

Partilha isto:
  • del.icio.us
  • Sapo
  • EuCurti
  • DoMelhor
  • Digg
  • Google
  • Ueba
  • StumbleUpon
  • Live
  • TwitThis
  • Technorati
  • Facebook
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!

"Postes" em que falo de coisas parecidas:

Next Page »